Apresentação de livros que podemos encontrar nos escaparates das livrarias:
António Lobo Antunes
D’este viver aqui neste papel descripto
Cartas de Guerra
Org. de Maria José Lobo Antunes
e Joana Lobo Antunes
As cartas de amor do escritor a sua mulher, escritas em Angola, durante a guerra colonial, faziam parte do espólio de Maria José que autorizou a filha a publicá-las, mas só depois da sua morte, uma vez que a pressentia próxima devido a uma grave doença.
São cartas onde o amor e a saudade estão sempre presentes, mas para além desses sentimentos de um jovem, que se vê obrigado a deixar a casa após um casamento recente, revela-se igualmente a sua visão lúcida e arguta do que foi a guerra colonial em Angola.
É, pois, um livro muito bonito, recheado de fotografias dos noivos, da família, mas igualmente dos locais onde o autor cumpria o serviço militar obrigatório.
Entre romantismo e realismo, este documento autobiográfico do escritor constitui uma bela sugestão de leitura.
Henrique Teixeira de Sousa
Ó Mar de Túrbidas Vagas
Plátano Editora, 2005-12-21
Este livro de um dos maiores expoentes da cultura e literatura cabo-verdianas evoca não só a vivência no mar num pequeno barco que fazia escala de Providence, nos EU, a Cabo Verde, como nos dá uma panorâmica da vida nas ilhas de Cabo Verde, sobretudo São Vicente, Brava e Fogo, nos anos 30 do século passado. O autor vai buscar o título a um poema de Eugénio Tavares que se consagrou pela morna composta por Beleza com esta letra da «Canção ao Mar».
AAVV- Afonso Praça, Alice Vieira, Fernando Dacosta, Francisco Moita Flores, Guilherme de Melo, Inês Pedrosa e Mário Ventura,
Os Sete
Pecados Mortais
(Desenho de Francisco Simões)
São contos escritos pelos escritores referidos que se ocuparam, cada um deles, de um dos sete pecados mortais pela ordem que se citam: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja, preguiça.
Pela qualidade destes escritores se descortina o prazer da leitura destes contos.
Paulo Morgado,
Contos de Colarinho Branco,
(Prefácio de Maria José Morgado)
Paulo Morgado, licenciado em Direito e com um Mestrado em Finanças pela Universidade de Lovaina, oferece-nos estas curiosas narrativas de denúncia do crime económico, constituindo esta obra o que se poderá chamar de «contos de enegrecimento», apresentados sob a forma de um género entre o policial e o ensaio negro da política
Maria Filomena Mónica
Bilhete de Identidade
Memórias de 1943-1976
Livro intimista, onde a autora conta as suas memórias, tentando dar a perceber uma vida, uma família e um país desde 1902, data do nascimento da sua avó, e 1976, o ano em que após uma estadia no estrangeiro regressa a Portugal. Centra a acção, porém, a partir de 1943, ano em que nasce. Não é apenas um livro autobiográfico e de memórias, tanto ao seu gosto como tem revelado nas obras que escreve sobra Eça de Queirós e Pessoa, mas igualmente um documento interessante de natureza social e cultural.
Miguel Mira Serrano,
O Homem que não tinha esqueletos no Armário
Deste livro com um título desconcertante diz Urbano Tavares Rodrigues:
«Um romance forte, original e muito intenso que é o retrato amargo de uma geração.»
Um livro para ler e reflectir.
Viriato de Barros
Identidade
Viriato de Barros, licenciado em Filologia Germânica, que foi professor do liceu e, posteriormente, diplomata e Embaixador em várias partes do mundo, escreve este belo livro que se integra na moderna literatura cabo-verdiana.
Os seus relatos reportam-se às ilhas do Fogo e da Brava, vistos na perspectiva de uma criança dos seus oito a dez anos, mas já com uma certa sensibilidade social, embora incapaz de abarcar ainda as causas e a dimensão das injustiças da vida e da colonização.
Reflecte a angústia da criança nesses tempos difíceis, dramáticos, de fome e abandono à triste sina a que a colónia foi votada.
Pepetela,
Predadores
Este último romance do conhecido escritor angolano trata do período pós independência, em que muitos portugueses e angolanos abandonam o país não conformados com a independência e sem compreenderem a sua inevitabilidade.
È também o retrato, como aquele
humor e ironia tão peculiares de Pepetela, de uma
certa burguesia, a que ele chama de predadores.