Aquilino Ribeiro no Panteão Nacional
Aquilino
Ribeiro foi o décimo português a quem foi dada a merecida honra de repousar
para todo o sempre no Panteão Nacional.
Em cerimónia
oficial, o seu corpo foi trasladado do Cemitério dos Prazeres para o Panteão
Nacional, no passado dia 19 de Setembro, juntando-se aos escritores João de
Deus, Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, aos Presidentes da República Manuel de
Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona, à fadista Amália
Rodrigues e a Humberto Delgado, o General Sem Medo, a quem ele deu o seu voto,
e que ficará para sempre a seu lado.
Aquilino
Ribeiro nasceu no concelho de Sernancelhe, a 13 de Setembro de 1885 e faleceu
em 27 de Maio de 1963. Passou a infância em Moimenta da Beira, fez os seus estudos
em Lamego e em Viseu.
Depois de
alguns anos exilado em França, veio viver para Lisboa, nunca esquecendo, porém,
as terras de origem e de vivência, sendo a Beira Alta lugar de encontro com as
suas memórias, fonte do imaginário patente na sua vasta obra literária.
Destacam-se As Três Mulheres de Sansão,
Geografia Sentimental, O Malhadinhas, Terras do Demo, Estrada de Santiago,
Quando os Lobos Uivam, Cinco Reis de Gente, Uma Luz ao Longe, Via Sinuosa, A
Grande Casa de Romarigães e Jardim das Tormentas.
Em todas estas obras, Aquilino Ribeiro retrata a realidade portuguesa, espelho de um país que vivia amordaçado. Quando os Lobos Uivam foi um dos romances que lhe valeu a perseguição do Estado Novo, a prisão e o exílio.
Todos os seus livros são obras-primas da literatura de língua portuguesa, não só pelos temas que aborda, pela construção das personagens e sua contextualização como ainda pela arte da palavra, arrancando do húmus beirão o homem com a sua fala regional e, por vezes, carregada de arcaísmos, os seus ditos populares e a sua alma bem portuguesa.
A criança é
também privilegiada em textos que enriqueceram a literatura infantil em O Livro de Marianinha,
dedicado à sua neta, e em O Romance
da Raposa
O livro Um Escritor Confessa-se é um testemunho autobiográfico. No entanto, transcende a dimensão pessoal e regional pelo universalismo das ideias.
Recordemos algumas palavras de Aquilino Ribeiro que podem representar para quem as leia uma espécie de testamento intelectual:
«Morro insatisfeito. A minha obra é imperfeita e bem o sinto. (…). Sei que estou a aproximar-me do ocaso. Mas, como os trabalhadores da minha serra, hei-de morrer com a enxada na mão.
(…) Olhem sempre em frente, olhem o Sol. Não tenham medo de errar, sendo originais, iconoclastas e anti, o mais anti que puderem, e verdadeiros, fugindo aos velhos caminhos trilhados de pé posto e a todas as conjunturas dos velhos do Restelo.
Cultivem a inquietação como fonte do renovamento.»
Elsa
Rodrigues dos Santos