Em
defesa da Língua Portuguesa, carta de Castilho Soares
Solicito,
empenhadamente, a intervenção da Sociedade de Língua Portuguesa no sentido de,
em defesa da língua portuguesa - por lei reconhecida
"fundamento da soberania nacional" e "elemento essencial do
património cultural português" - ser posto cobro à crescente e abusiva
utilização de estrangeirismos, designadamente da parte da comunicação social,
dos agentes comerciais e dos próprios organismos oficiais.
No cúmulo dos
inúmeros casos que invadem o nosso quotidiano e já quase submergem a língua
portuguesa, assinalo, em especial: as mensagens, em inglês, transmitidas pela Vodafone aos respectivos utentes das telecomunicações; as
expressões e imagens estrangeiras que, em exclusivo, decoram (?) as zonas de
serviço e de lazer dos centros de férias do INATEL -
Instituto Nacional de Aproveitamento de Tempos Livres ! - onde
nem as caravelas da era dos descobrimentos marítimos são portuguesas, mas
napolitanas e espanholas, e um dos centros de férias é um "Palace" (!); o lema "Selection
of Portugal", utilizado pelo ICEP - Instituto de Comércio Externo de Portugal ( . . . de
Portugal !) e pela AIP- Associação Industrial Portuguesa (. . . de Portugal !)
- com o beneplácito da Embaixada de Portugal - para promover a venda de
produtos portugueses em Angola ! . . . em Angola, país lusófono, cujo Presidente da República
defendeu, recentemente, a língua portuguesa como língua de identificação
nacional e onde é obrigatório, por lei, que os produtos destinados ao consumo
público sejam acompanhados de informação escrita em português.
Com os mais
atenciosos cumprimentos
Amadeu Castilho Soares