António Cândido Franco,

Viagem a Pascoaes (romance)

 

   Diz o autor deste romance:

   «Esta viagem a Pascoaes realiza-se não através de estudos ou de sonhos, mas de fragmentos da minha memória e notas escritas ao longo dos anos em torno dos lugares em que o poeta viveu e das pessoas que se ligam a esses lugares. O lugar é o noroeste galaico da Península Ibérica, na ponta da Europa, não longe do campo das estrelas de Compostela ou do mar infinito.»

 

   Pelo que conhecemos de António Cândido Franco, como belíssimo poeta e ensaísta, sério e rigoroso, recomendamos a todos que façam esta viagem no rasto duma grande figura da literatura e da cultura portuguesas que é Teixeira de Pascoaes, através do olhar sensível e perspicaz de alguém que envereda pela ficção, explorando esta tendência do romance moderno para a história, para o biografismo e para o lirismo, fazendo-o com sabedoria, com o sentido estético da palavra e com imaginação ao transpor para outra realidade, para outros actantes, ecos de vozes e de sombras do passado.

 

 

Manuel Pinheiro Chagas, Os Guerrilheiros da Morte, (romance histórico)

                                          A Conspiração de Pernambuco

 

   Muitos são os escritores que nestas últimas décadas têm-se dedicado ao romance histórico, desde Mário Domingues, José Saramago, Agustina Bessa Luís, Fernando Campos, Luís Rosas, Miguel Sousa Tavares, Mário Cláudio, José-Augusto França, Freitas do Amaral, Vasco Resende, e, muito recentemente, José Rodrigues dos Santos.

   Esta tendência é tão nítida que saíram várias reedições de escritores do sec. XIX, como de Garrett, e de Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, este último muito esquecido, esconjurado pelos escritores do realismo.

   Pinheiro Chagas, que viveu entre 1842 e 1895, foi responsável pela célebre questão coimbrã, tornando-se o inimigo nº1 de Eça de Queirós, defendendo acerrimamente o velho romantismo contra aquilo que considerava a heresia dos realistas.

   Saíram agora deste escritor duas reedições:

 

Os Guerrilheiros da Morte, romance histórico, que nos coloca perante algumas das cenas mais marcantes do período conturbado e trágico da primeira invasão francesa.

   A narrativa apoia-se quase exclusivamente num relato verídico. O enredo inventado apenas serve para ligar os factos entre si.

 

   A Conspiração de Pernambuco que relata a luta que se travou entre Portugal e a Holanda cujo desfecho foi por ambos considerado favorável.

 

   Joaquim Mestre, O Perfumista (romance), um livro que se embrenha por uma viagem ao Alentejo no início do sec. XX.

   Joaquim Mestre é licenciado em História e pós-graduado em Ciências Documentais. É actualmente Director da Biblioteca de Beja.

 

 

 

Soares, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras

 

   O conhecido humorista e homem da televisão brasileira, Soares, é igualmente dramaturgo e autor de outros romances como O Xangô de Baker Street e O Homem que Matou Getúlio Vargas. Com o mistério e o humor que o caracterizam, escreve este novo livro, cuja acção se passa no Rio de Janeiro em 1924. O Senador Belizário Bezerra acaba de se tornar o mais recente membro da Academia Brasileira de Letras quando é assassinado no dia da tomada de posse. A partir daí há uma vaga de assassinatos em série, todos da mesma forma, por envenenamento, que o sedutor Comissário Machado Machado vai tentar desvendar.

   E como é habitual nos romances de Soares, no decorrer da acção, neste caso, ao longo das investigações, a personagem principal, que é aqui o comissário, faz diversas incursões pelo mundo carioca, visitando locais vulgarmente frequentados por intelectuais e altas figuras da sociedade, como o recém-inaugurado Copacabana Palace, o Teatro São José, o Café Lamas ou o Estádio do Fluminense.

   Tal como os seus livros anteriores, este é também um delicioso romance policial.

 

 

Luís Miguel Rocha, O Último Papa.

 

 

   Em 1978, João Paulo I foi assassinado. A partir daí, há inocentes que vão morrer.

   Intriga e acção vão mergulhar o leitor no mais escondido segredo do Vaticano.

 

 

Alberto Xavier, Al-Gharb (1146)

 

 

   Este é um retorno onírico ao Portugal Muçulmano. Ali, filho de mãe romana e pai greco-bizantino, homem rico e culto, convertido ao Islão, partilha com seus pais e amigos a atmosfera e as fragrâncias do Gharb (parte ocidental do território andaluz.)

 

 

Paulo Coelho, A Bruxa de Portobello

 

 

   O grande problema de Athena era ser uma mulher do sec. XXII que apenas vivia no sec. XXI.

    Pagou um preço? «Sem dúvida» (diz-nos o texto de apresentação), «mas teria pago um preço muito maior se tivesse reprimido a sua exuberância.»

 

 

José Rodrigues dos Santos, O Codex 632

 

 

  O conhecido jornalista e apresentador da TV é doutorado em Ciências da Comunicação e professor da Universidade Nova de Lisboa, sendo um dos jornalistas portugueses mais premiados. Publicou quatro ensaios e este é o seu terceiro romance.

   Baseado em documentos históricos originais, o Codex 632 transporta-nos para uma aventura repleta de enigmas e mitos, onde a figura de Cristóvão Colombo vai ser desvendada a pouco e pouco, ganhando uma nova feição.

 

 

José Luandino Vieira, Lourentinho Dona Antónia de Sousa Neto & Eu

 

 

   José Luandino Vieira é uma figura histórica no panorama da resistência ao colonialismo português, por todo o seu passado político, participando no movimento de libertação nacional, em Angola, o que o levou aos cárceres por várias vezes, tendo sido condenado a 14 anos de prisão, dos quais oito anos no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Ficou conhecido no meio literário pelo prémio de ficção que foi atribuído ao seu livro Luuanda pela Associação Portuguesa de Escritores, em 1968, o que levaria a PIDE a encerrá-la. 

   Este livro em 2ª edição é constituído por duas novelas cuja acção se passa nos últimos anos do colonialismo em Angola, quer no interior do país, quer na capital. Foram escritas no Tarrafal, em 1971 e 1972.

   Autor de várias obras das mais importantes da Literatura Angolana, é importante lê-lo ou relê-lo, pois todas elas, no seu conjunto, nos dão o retrato do que foi o colonialismo em África, nomeadamente em Angola, ao mesmo tempo que saboreamos a sua prosa híbrida de português/quimbundo, mas que em nada dificulta a interpretação, graças a uma notável arte do uso da palavra escrita. 

  

 

Vasco Resende, A mistificação de Shakespeare- Amores Lendários

 

 

  Vasco Resende, jornalista que recentemente fez a incursão pelo romance histórico, publica agora o seu segundo livro, após Antónia, Mulher Coragem.

   Este seu segundo livro, pelo próprio título, constitui-se num documento bastante polémico, suscitando a velha questão da legitimidade de se ficcionar factos históricos.

   A acção propriamente dita inicia-se em Inglaterra, em Stratford-upon- Avon, terra de Shakespeare, constituindo-se este como protagonista, fazendo a ligação dos vários momentos em que se desenrolam factos históricos que interessam não só à História de Portugal, mas também à História Universal.

 

 

                                                                                  Elsa Rodrigues dos Santos