Joaquim Maria Machado de Assis

 pelo centenário da sua morte

 

 

Joaquim Maria Machado de Assis, geralmente considerado o maior escritor brasileiro, nasceu a 21 de Junho de 1839 no Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade a 29 de Setembro de 1908. Seu pai, o mulato Joaquim, era pintor de paredes; sua mãe, a portuguesa Maria Leopoldina, era lavadeira.

O escritor passou a infância entre a chácara do Livramento (propriedade da sua madrinha) e a casa pobre dos pais, percebendo desde muito cedo os desníveis sociais e recebendo as primeiras impressões dos ambientes que irá posteriormente descrever nas suas obras

A pobreza, a cor, a timidez e a gaguez reforçaram o seu isolamento.

O menino já sentia «umas coisas esquisitas», como desmaios ou crises nervosas, prenúncios da epilepsia que se manifestaria alguns anos mais tarde. Depois da morte da mãe (1849), o pai casou-se novamente. Maria Inês, a madrasta, ensinou ao menino as primeiras letras (1851). Ela empregou-se como cozinheira e nas horas livres fazia balas (rebuçados) que o garoto vendia nas ruas da cidade.

Nas suas andanças, mais tarde, o jovem Machado de Assis conheceu a Senhora Gallot, francesa, dona de uma padaria, que lhe ensinou o seu idioma.

Em 1855, ele consegue um emprego como aprendiz de tipógrafo na oficina do jornalista Francisco de Paula Brito. Logo de seguida, estreia-se no jornal A Marmota, com os versos de amor «Meu Anjo». No ano seguinte, trabalhando na Imprensa Nacional, torna-se amigo de Manoel António de Almeida que foi seu protector durante muitos anos. A partir de 1858, Machado de Assis passou a escrever regularmente no Correio Mercantil e em outros jornais cariocas. Em 1869, casou-se com Carolina Xavier de Novais e, em 1870, publicou Contos Fluminenses, volume com que inaugurou a sua brilhante carreira literária.

Seguem-se Histórias da Meia Noite (1873), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), obras inspiradas no Romantismo da época, com personagens e enredos simples, carregadas de sentimentalismo. Mas já nesta fase inicial estão presentes elementos que seriam desenvolvidos posteriormente com a tendência para a análise de costumes e de personagens, a introspecção, o desenvolvimento não muito linear do enredo, o humor e a sensualidade.

Foi a partir, porém, de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires que Machado Assis começou a ser conhecido pelo seu enorme sentido de humor e de ironia, o seu realismo psicológico, imprimindo assim nos seus romances um impiedoso sarcasmo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance original desde a dedicatória. («Ao primeiro verme que primeiro roer o meu cadáver»),  concebendo a ideia de um autor defunto, que, para fugir ao tédio do túmulo, escreve as suas memórias».

Dom Casmurro, considerado o seu romance mais pessoal, desenvolve-se a partir da dúvida do protagonista-narrador sobre a fidelidade da esposa. Deste modo, a personagem Bentinho, herói do romance, mergulha no presente e no passado, no real e no imaginário, contagiando o leitor com as suas dúvidas e incertezas.

Machado de Assis foi também um notável contista como atestam os seus Papéis Avulsos (1882), Histórias sem Data (1884) e Relíquias da Casa Velha (1906), A Chinela Turca, O Espelho, A Igreja do Diabo, onde o imprevisível se entrosa com o mistério, lembrando o estilo de um livro policial, enriquecido, porém, pela ironia e pelo sentido crítico.

 

 

                                                                                                                                                  Elsa Rodrigues dos Santos