Ortografia em mudança

Vocabulário

As palavras que mudam

Com o Acordo Ortográfico

Organizado pelo ILTEC

Instituto de Linguística Teórica e Computacional

Caminho, 2008

 

   Este Livro é constituído por:

                  Introdução

I.                    Regras que mudam

II.                 Lista alfabética das palavras cuja grafia muda

III.               Formas verbais cuja grafia muda

IV.              Portal da Língua Portuguesa

 

Este não é um vocabulário completo da língua portuguesa. Esse, com cerca de 200.000 entradas está a ser elaborado pelo ILTEC e 90.000 entradas pela Academia das Ciências, estando prevista a sua publicação daqui a um ou dois meses, para que os portugueses, com segurança, possam escrever segundo o Acordo Ortográfico de 1990.

Este Vocabulário que apresentamos está estruturado em duas colunas: no lado esquerdo, está a forma escrita conforme o Acordo Ortográfico de 1945; no lado direito, a forma escrita com o novo Acordo.

Contém ainda uma síntese das principais alterações na ortografia preconizadas pelo Acordo de 1990 e igualmente uma lista de formas verbais flexionadas que são alteradas. Por exemplo, em algumas formas do verbo «dar» a grafia é alterada: a forma da 1ª pessoa do plural do presente do conjuntivo dêmos passará a escrever-se facultativamente demos ou dêmos (sem ou com acento circunflexo) e a 3ª pessoa do plural, dêem (sem acento circunflexo).

Este livro que apenas regista cerca de 3900 vocábulos, tem de ser entendido como uma interpretação do novo Acordo e não como um Vocabulário Geral da língua portuguesa. No entanto, é muito importante porque são estes 3900 vocábulos apenas os únicos que serão alterados na sua grafia. Por isso, constatamos que o número de mudanças que o Novo Acordo gera é bastante reduzido.

Em algumas entradas, a coluna da direita apresenta duas formas possíveis. Por exemplo, a ortografia da palavra «consumpção» (com mp) ou consunção (nç).

Este tipo de variação já ocorria em várias palavras, segundo acordo de 1945. Por ex: “louro” e “loiro”, “taberna” e “taverna”, “aldraba” ou “aldrava” (batente de porta) e a palavra “insonso” registava três formas (e continua a registar) (insonso, insosso, e ensosso). O que é novo são as variantes nacionais, uma forma para Portugal e outra para o Brasil. É o caso de “tónico” (Port.) e “tônico” (Brasil), facto (Port.) e fato (Brasil).

Quanto às palavras compostas foram aqui excluídas todas as que não têm hífen em Portugal.

 

I.                   Regras que mudam

1. Hífen

   Com este novo Acordo o uso do hífen é mais restrito.

 

Em palavras compostas com os prefixos anti- e co- o novo Acordo prevê que, em geral, não se empregue o hífen e haja uma aglutinação. Ex: anti-reflexo passa para antirreflexo (com rr), anti-sísmico para antissísmico e co-piloto passa a escrever-se copiloto. Aliás, a regra é a seguinte: Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com “r” ou “s”, os dois elementos fundem-se, com a duplicação do “r” ou do “s”. Mais exos.: Antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, etc.

 

As formas monossilábicas do verbo “haver” quando são seguidas de “de”, deixam de ser separadas por um hífen.

Ex. hei de, hás de, há de

 

O prefixo “sub” aglutina-se com o elemento seguinte:

Subdirector, subdiretor-geral, subrogatório subsetor.

 

Quando é que se mantém o hífen?

 

1.      Quando a palavra base começa por h. Ex: anti-herói

2.      Quando a última letra do prefixo é igual à primeira letra da palavra seguinte, excepto quando o prefixo é “co”, verificando-se então a aglutinação dos dois elementos. (cooperação)

                                       Ex: contra-ataque

3.      Escreve-se com hífen quando o prefixo termina em –m e a palavra seguinte começa por n-

                                Ex: circum-navegação

4.      Escrevem-se com hífen, em todas as circunstâncias, as palavras compostas com os prefixos ex-, pré, pró-, bem- , não-.

                                 Ex: ex-marido, pré-primário, pró-ativo, bem-amado, não-

                                 utilizável

5.      Em palavras como «direção-geral», direção-regional, diretor-adjunto, diretor-desportivo, diretor-executivo, mantém-se o hífen.

 

Nota: Na translineação, quando a mudança de linha se verifica na posição do hífen, é obrigatório repetir o hífen na linha seguinte

 Ex: Direção-

-geral.

 

2. Acento:

 

 1. No novo Acordo, os ditongos semiabertos “oi”, “ei”, “eu” deixam de ser acentuados nas palavras graves. Ex: giboia, intróito, paranóico, heróico.

 

2. Nas palavras agudas continuam a ser acentuadas. Ex: chapéu, dói.

 

3. As palavras esdrúxulas ou proparóxitonas, mantêm o acento tónico na antepenúltima sílaba, como até agora. Muitas dessas palavras que em Portugal se abre a vogal tónica, e se coloca um acento agudo (António, tónico), no Brasil, fecha-se a vogal (António, tónico). Usam-se, neste caso, duas grafias.

 

4. O acento usado em algumas palavras apenas para as distinguir das suas homógrafas deixa de ser usado. Ex: pelo (e não “pêlo” substantivo), como também a contracção da preposição por+o =pelo e o presente do indic. do verbo «pelar» pelo. Todas estas três formas se escrevem sem acentos.

Também a forma «pára» do verbo «parar» se escreve sem acento, «para».

 

Nota: Permanecem as excepções relativas, quer ao verbo «pôr», que mantém o acento circunflexo para se diferenciar da preposição «por» quer à forma «dêmos» do verbo «dar» no presente do conj. que se escreverá opcionalmente com uma das duas grafias (dêmos ou demos) , como no pretérito perfeito da 1ª pessoa do plural dos verbos da 1ª conjugação (amámos e amamos) opcionalmente.

 

5. O acento na letra “u” depois de “q” ou “g”deixa de ser usado em certos verbos Ex: adque (e não “adqúe”)

Ex: enxague (e não “enxagúe”)

Ex: desagúe (e não “desagúe”)

 

 3. Consoantes mudas

 

  1. As consoantes mudas caem quando não são pronunciadas. Isto acontece em relação aos grupos consonânticos cç, ct, pc, pç, e pt. Assim, escreve-se: ação (em vez de acção), ótimo (em vez de óptimo) cato (em vez de cacto), perceção (em vez de percepção).

 

  1. Nas sequências mpt, mpc, mpç, o m é substituído por n quando o p desaparece. Ex: assunção (em vez de “assumpção”), perentório (em vez de “peremptório”) suntuoso (em vez de “sumptuoso”)

 

  1. Também passa a poder retirar-se a primeira letra da sequência bd, gd, tm, mn, , mantendo-se quando a pronúncia é variável. Ex amígdala e amídala, antárctico e antártico, amnistia (Port.) e anistia (Brasil).

 

Nota: Quando a consoante c ou p é pronunciada continua quer na grafia

Ex: Em Portugal, diz-se «facto», «pacto» e daí o “c” continuar. No Brasil, com este sentido, pronuncia-se “fato” e “pato”, por isso, não tem “c”.

A palavra «carácter» pode escrever-se opcionalmente assim ou sem “c”, porque no Brasil pronuncia-se o “c”.

 

II

Lista alfabética das palavras cuja grafia muda

 

   As palavras em itálico são específicas da variante brasileira. Esta lista ocupa quase todo o livro (da p.17-150). São 133 páginas com as palavras cuja grafia muda, o que constitui um bom guia para consulta.

 

III

Formas verbais cuja grafia muda

 

   Verificam-se alterações em 94 formas verbais.

   As mais importantes são as seguintes:

Como já referimos, nos verbos crer e dar, as formas creem e deem já não têm acento circunflexo no primeiro “e”.

O mesmo acontece com a mesma forma da 3ª pessoa do plural do presente do ind. dos verbos ver, ler, isto é, vêem, lêem e todos os derivados.

Ex: entreveem, preveem, releem, reveem, tresleem.

 

Também como já foi referido a 1ª pess. do sing. do prés. do ind. do verbo “pelar”, “pelo”, já não tem acento agudo,”pélo”.

 

É opcional o acento agudo na 1ª pess. do plural dos verbos da 1ª conj. (-ar), no pret. perfeito, mas, em meu entender, deveria  continuar a existir esse acento para diferenciar esse tempo verbal do pres. do ind. Ex. pensámos e pensamos.

 

IV

Portal da Língua Portuguesa

 

É aqui aconselhada a consulta do Portal da Língua Portuguesa cujo endereço electrónico é:

 

www.portaldalinguaportuguesa.org

 

O Portal informa sobre vários aspectos da língua portuguesa, como as convenções ortográficas de Portugal e do Brasil, as nomenclaturas gramaticais em vigor e um dicionário de termos linguísticos.

Disponibiliza-se aqui um Dicionário de gentílicos, onde é possível consultar por país/região, por pesquisa directa ou pela ordem alfabética, um grande número de topónimos e respectivos gentílicos. Ex: Procurar saber-se por ex. como se chama um habitante de Cascais

Este Portal oferece também um Dicionário de Nomes Deverbais, fornecendo parta cada verbo os nomes a ele associado e vice-versa Pode aceder-se a essa informaça através da pesquisa por nome ou por verbo, ou pela consulta de uma lista exaustiva de nomes deverbais.

Também aqui é nos disponibilizado um Dicionário de Estrangeirismos, no qual se indica a língua de origem, o domínio de especialidade a que pertence cada palavra e a forma aportuguesada ou o equivalente em português.

 

 

Elsa Rodrigues dos Santos