Poem'Arte *III Bienal de Poesia de Silves*

(25, 26 e 27 de Abril de 2008)

Desde o tempo das primeiras taifas ( séc. XI ) que Silves é reconhecida como cenário de literatos.

A título de exemplo, recordamos a juventude de Al-Mu’tamid, dotado de uma sensibilidade estética e de uma sensualidade poética que o tornarão célebre, assim como, o tão poetado Palácio das Vazrandas ou o Rio Arade, onde o poeta do destino, como o reconhece Adalberto Alves, virá a fortalecer a sua lendária amizade por IbnAmmar, o controverso poeta de Estombar e de Silves…

São célebres os poemas deixados por ambos, assim como é demais conhecida a “Evocação a Silves”, poema que acompanha o texto com que a Sra. Presidente da Câmara abriu a Antologia da II Bienal de Poesia.

A História e a Literatura, através dos séculos, têm vindo a deixar, nomes ilustres de Poetas ligados ao nosso Concelho.

Conceituadas são, igualmente, as tertúlias literárias.

No séc. XIX, em Matamouros e em casa da família Garcia Blanco, encontram-se poetas da época, nomeadamente, João de Deus, por muitos conhecido, por poucos entendido e por muito menos aprofundado.

No séc. XX, lembramos Luísa Neto Jorge que granjeou, como poeta, nome a nível nacional.

E quantos mais poderíamos evocar.

Mas, por ora, limitamo-nos aos últimos cinco anos, quando iniciámos a I Bienal, para demonstrar a relevância alcançada pela POESIA no Concelho e, mais concretamente, na cidade de Silves.

Conseguimos, com a I Bienal criar um público fiel e exigente, e, com a II Bienal reforçámo-lo, tendo, a cidade, ficado conhecida como a Capital da Palavra Ardente, ultrapassando fronteiras, e fazendo do Concelho de Silves o único, onde, com periodicidade, se celebra a Poesia e os Poetas se encontram.

Tivemos eruditos e populares que, há três anos, acorreram, aos Paços do Concelho. E é este público expectante e interessado que, nos dias 25, 26 e 27 de Abril de 2008, preitearemos, com a III Bienal, diferente e inovadora, com novos e/ou conhecidos oradores e moderadores.

E, se as duas primeiras Bienais deram a conhecer novos valores da Língua Mátrea, na III teremos jovens e menos jovens Poetas, todos, porém, com provas dadas e valor reconhecido.

As Bienais de Silves começam a ser reconhecidas no mundo literário e, não é por mero acaso, que alguns dos nobilíssimos poetas e artistas plásticos contemporâneos, não hesitam em nelas participar.

Marta Jacinto, jovem e promissora artista plástica, apresta-se a mostrar a sua pintura, numa Exposição que forma um dos ângulos da III Bienal, por isso chamada POEM’ARTE.

A ela se associa o Mestre Silvestre Luís Varela Raposo que, imediatamente, se prontificou a elaborar todo o grafismo da III Bienal.

Falta-nos o último ângulo da III Bienal – a Música – assegurada pelo Grupo Experiment'arte que confirma, também, várias deambulações poéticas, ao longo dos três dias da Bienal.

Na II Bienal de Poesia, a Autarquia de Silves homenageou o poeta António Ramos Rosa, na celebração dos seus 80 anos, perpetuados na Antologia, alma de toda a Bienal.

Do mesmo modo, este ano, homenagearemos, a nível nacional, o catedrático Urbano Tavares Rodrigues, o poeta da palavra /vida.

Hoje, o Concelho de Silves, no âmbito literário, é reconhecido por todos, independentemente de cores políticas, idades e sexos, como exigente e qualificado agente divulgador e dinamizador da POESIA portuguesa, e, este ano, concretamente, do triângulo que com ela formarão a PINTURA e a MÚSICA.

 

Três são, ainda, os grandes objectivos da III Bienal de Poesia de Silves

 

- comemorar o 25 de Abril;

- inaugurar a Biblioteca Municipal;

- homenagear Urbano Tavares Rodrigues,

de novo, os três ângulos de um triângulo mágico...

poem'art A III Bienal de Poesia de Silves que, este ano, se realizará, nos dias de 25, 26 e 27 Abril p.f., começa a ter o seu lado visível. Inicia os primeiros [se bem que ainda muito tímidos] passos, mas inicia-os. E como nesta edição tenho a honra de participar conjuntamente com poetas amigos como Maria Azenha, Eduardo Pitta, Luís Serrano, Maria Estela Guedes, Rui Mendes, etc., a convite da querida amiga Gabriela Rocha Martins, convido-os todos a acompanharem esta edição da Bienal, seja em Silves.

Nesta edição, será homenageado o escritor Urbano Tavares Rodrigues.

 

PROGRAMA

 

Dia 25 - Sexta Feira

9h30 - Visita ao Concelho de Silves

13h00 - Almoço

15h00 - Inauguração da Exposição de Pintura de Marta Jacinto

16h00 - Início dos Trabalhos

Mesa Redonda
Poesia, Poeta, Poema
“ Não adianta aprender as regras, se é que as há, rigorosamente, como querem os fundamentalistas.
O ritmo está mesmo é no sopro do poeta”.

-Dora Ferreira da Silva

Intervenientes:
Aida Monteiro, António Simões, João Rasteiro, Jorge Fragoso, Marco Alexandre Rebelo, Maria Azenha, Maria Gomes
Moderador:
Luis Carlos de Abreu

Deambulações poéticas pelo grupo Experiment’arte

17h30 - Pausa para Café
18h00 - Conclusões

20h00 - Jantar
22h00 - Lançamento da Antologia
Leituras por Marta Vargas

 

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Dia 26 - Sábado

9h30 - Visita guiada à Cidade de Silves

13h00 - Almoço

16h00 - Início dos trabalhos

Mesa Redonda
Porque motivo continuam os homens a escrever Poesia?
“ A poesia está em toda a manifestação artístíca, transmite o sentimento de plenitude, e o poema pode ser apenas, produto de um versejar”.
-Octávio Paz

Intervenientes:
bruno béu, Eduardo Pitta, Graça Magalhães, José Ribeiro Marto, Maria Toscano, Rui Mendes, Teresa Tudela
Moderador:
Paulo Penisga

Deambulações poéticas pelo grupo Experiment’Arte

17h00 - Pausa para café
18h00 - Conclusões

20H00 - Jantar
22h00 - “Os Tons da Palavra” - con vivências & con ivências culturais

 

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Dia 27 - Domingo

16h00- Início dos trabalhos

Mesa Redonda
Democratização da poesia ou banalização da palavra.
nos tempos dourados aprendi duas palavras, que acabaram tendo tanta importância no meu ofício, a palavra liberdade e a palavra justiça.”
-Lygia Fagundes Telles

Intervenientes:
Luís Serrano, Maria Estela Guedes, manuel a domingos, Manuel Madeira, Maria do Sameiro Barroso, Porfírio Al Brandão
Moderador:
Silvestre Raposo

Deambulações poéticas pelo grupo Experiment’arte


17h30 - Pausa para café
18h00 - O Poeta da Palavra Vida
Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues
Lição de Sapiência por Domingos Lobo

20h00 - Jantar de Encerramento
22h00 - "Palavras Interditas" - recital poético-musical pelo grupo Experiment'arte

 



A casa da minha infância foi um «monte» alentejano, próximo do rio Ardila, a cerca de quatro quilómetros da branca cidade de Moura.

A frontaria dava para um pátio empedrado, de onde ainda se vêem, num alto, a eira, e mais perto, outras construções: a habitação do feitor, a cavalariça, a vacaria, o galinheiro, o curral dos porcos, o alpendre onde guardavam o trem, o churrião e vários carros de lavoura e alfaias agrícolas, a charrua, a debulhadora, o trilho...

A toda a volta da casa mansas oliveiras, quase cinzentas por tempo fosco, mas de prata quando o sol se mostra. E, quase encostada à casa, as olaias, muito visitadas pelos pardais sobretudo à noitinha, e a suave glicínia, trepando por uma parede caiada, junto a janelas de grega do quarto dos meus pais.

Foi nesse cenário rústico, que de Inverno acordava muitas vezes branco de geada e onde a Primavera vinha cedo, de ouro e azul, sobre a verde germinação das searas, que decorreram os anos mágicos da minha infância, escutando os cantos e os dizeres dos camponeses, brincando com os pastorinhos das ovelhas e das vacas, galopando pelos montados do outro lado do rio, escalando cabeços cobertos de estevas e mistério (...)

Urbano Tavares Rodrigues

A Exposição, as Mesas Redondas, o Lançamento da Antologia e a Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues decorrerão na Biblioteca Municipal de Silves.