Iª Crónica
O Predicado
Teresa - Hoje qual o tema de que nos vai falar?
Elsa - Continuando o estudo da sintaxe, hoje falaremos do predicado, uma vez que , na última sessão, tratámos do sujeito e da sua representação.
Teresa - Há vários tipos de predicado, não é verdade?
Elsa - Há concretamente o predicado nominal e o predicado verbal.
Teresa - E o que é o predicado nominal?
Elsa - O predicado nominal é constituído por um verbo predicativo, isto é, que exige um predicativo do sujeito para lhe completar o sentido
Ex: A casa é
grande
Este predicativo do sujeito pode ser constituído por:
-um nome
Ex: A coragem
é uma virtude
- um adjectivo-
Ex: A
casa é pequena
-um pronome
Ex: O
dinheiro não é tudo
-um numeral-
Ex: Os
alunos são dez
-uma oração
completiva e infinitiva
Ex: O
mais certo é chover amanhã
A felicidade dos pais é verem os filhos felizes.
Nota 1 - Os verbos predicativos, também chamados de ligação ou
copulativos, são os que necessitam de uma palavra ou expressão (predicativo do
sujeito) para lhes completar o sentido. Costumam funcionar como predicativo os
verbos: ser, estar, ficar, permanecer.
Nota 2 - Alguns verbos como andar, continuar, parecer e outros,
ora aparecem como predicativos, ora não.
Ex: O João parece contente (Nome predicativo do Sujeito)
Mas na frase: O João parece um gigante (Complemento directo)
2ª Crónica
Predicado verbal
Teresa - Hoje continuamos a falar do predicado?
Elsa - Sim, hoje vamos tratar do predicado verbal.
Teresa - E como se constitui o predicado verbal?
Elsa - O predicado verbal tem como núcleo um verbo significativo, isto é, que já contém em si toda a caracterização necessária. Esses verbos podem ser:
- Transitivos directos - Quando a acção expressa pelo verbo transita isto é, transmite-se directamente para um sintagma nominal que desempenha a função de complemento directo.
Ex: As guerras
destroem civilizações
(CD)
Ele comprou
aquele prédio (CD)
Transitivos
indirectos
Quando a acção do verbo transita indirectamente para um
sintagma preposicional que desempenha a função de complemento indirecto
Ex: O orador
falou à multidão
Os recrutas
obedecem ao instrutor
Transitivos directos e indirectos - Quando a acção transita directa e indirectamente para um sintagma nominal.
Ex: A mãe ofereceu um disco (CD) ao filho (C I)
Os alunos pediram ao professor (CI) um adiamento do exercício (CD)
Em resumo: O complemento directo é aquilo sobre o qual recai directamente a acção expressa pelo verbo.
O complemento directo pode ser:
-Um substantivo
Ex: Ele vendeu
o carro.
-Mas pode ser também uma oração subordinada completiva ou
integrante.
Ex: Não sabíamos que estavas doente. (CD)
- O complemento directo pode ser regido pela preposição a.
Ex: Ele não
amava a Deus.
- Às vezes o complemento directo apresenta uma forma
enfática, pleonástica, isto é, que se repete para melhor expressar:
Ex: A mim
ninguém me engana.
Palavras leva-as o vento
Palavras e as são o CD ,
o vento é o sujeito. Portanto a forma pleonástica, o que se repete é o pronome pessoal as, correspondente a palavras.
Teresa - II. E o
complemento indirecto, o que é?
Elsa - O complemento indirecto é aquilo sobre o qual se exerce indirectamente
a acção expressa pelo verbo. É geralmente regido pela preposição a,
excepto quando se trata dos pronomes pessoais me, te, lhe,
nos, vos, lhes
Eu disse-te isso.
A tua irmã deu-lhe uma prenda.
3ª Crónica
Os complementos circunstanciais
Teresa - E hoje o que nos traz?
Elsa - Hoje vou falar-vos ainda de outros constituintes da oração.
Teresa - E quais são esses outros constituintes da oração?
Elsa - São os complementos circunstanciais.
Teresa - Os complementos circunstanciais são de vária natureza, não é verdade?
Elsa - Os complementos circunstanciais dão informações suplementares à frase e são variados.
De modo:
Ex:
Comeu depressa
Chegou vagarosamente
De causa:
Ex:
Não foi passear por causa da chuva violenta
De companhia
Ex:
Estão na aldeia com os avós
Quero ir jantar contigo
De tempo:
Ex:
Vou já
Encontro-me com
ele às 5 horas da tarde
De fim:
Ex:
Desloquei-me ao Porto para participar num Congresso
De meio:
Ex:
Foram para férias, de carro
De instrumento.
Ex:
Comeu a sobremesa com a colher
De dúvida
Ex: Talvez saibas onde eu quero chegar
4ª Crónica
Complemento Agente da Passiva
Teresa - Hoje qual é o tema gramatical de que vai falar?
Elsa - Continuo com a sintaxe e, portanto,
com os elementos constitutivos da oração. Já falámos do sujeito, do nome
predicativo do sujeito, do complemento directo, do complemento indirecto e dos
complementos circunstanciais. Vamos hoje falar do complemento agente da
passiva.
Teresa - Mas só existe complemento agente da passiva numa frase na voz passiva.
Elsa - Exactamente. Por isso antes de falar do complemento agente da passiva, explicarei a diferença entre voz activa e voz passiva.
Uma frase está na voz activa quando o sujeito pratica a acção.
Ex: António comprou um automóvel
António praticou a acção de comprar um automóvel.
A frase está na voz passiva
quando o sujeito sofre a acção praticada pelo complemento agente da passiva.
Ex:
Um automóvel foi comprado pelo António.
O agente da passiva é António,
neste caso. Ele só existe, como disse a Teresa, na voz passiva e é
geralmente introduzido pela preposição por e, às vezes pela preposição de .
Ex:
A rolha foi roída pelo rato
Os atletas foram rodeados de
admiradores
Na passagem da voz activa para a voz passiva verifica-se o seguinte
Ex: Voz activa:
A mãe deu um blusão ao filho
Voz passiva:
Um blusão foi dado ao filho
1. Na passagem da voz activa para a voz passiva só interessam o sujeito, o complemento directo e o predicado. Tudo o resto fica na mesma. Por isso, na frase da voz activa referida anteriormente só mudam de função o sujeito e o complemento directo e o verbo que passa para a voz passiva. O complemento indirecto «ao filho» fica na mesma.
2. O sintagma nominal com função de sujeito passa a sintagma preposicional com a função de agente da passiva regido pela preposição por
3. O sintagma nominal com a função de complemento directo passa a sintagma nominal com a função de sujeito na voz passiva
4. O verbo constrói-se na forma passiva, usando como auxiliar o verbo ser, no mesmo tempo do verbo na voz activa, acompanhado do particípio passado do verbo principal.
Nota 1. A voz passiva só é possível em frases com verbos transitivos directos.
Nota 2. A voz passiva também se pode obter com o uso da partícula apassivante se, ajuntado às formas activas do verbo e, neste caso, não vem expresso o agente da passiva.
Ex: Vendem-se casas (= são vendidas)
Elsa Rodrigues dos Santos